Quem reina na tua Vida?
Tal pergunta revela-se decisiva não somente aos católicos, - que no próximo domingo celebrarão a Festa de Cristo Rei do Universo -, mas também àqueles que lutam por uma vida livre. Creio que o desejo de todos é encontrar um rei, um chefe e um líder que não escravize, mas que liberte plenamente. A Sagrada Escritura nos aponta alguns exemplos:
Abraão não era escravo e, muito menos o seu povo, mas poderia se tornar porque a sua terra não produzia mais como antes. Por isso, quando ouve a promessa divina de uma terra de fartura e de uma grande descendência, Abraão simplesmente parte, como lhe disse Deus (Gn 12,4).
Parece que não restava outra saída, senão abandonar tudo e partir. Quando a sua vida torna-se ameaçada, Abraão coloca-se no caminho de Deus, através da fé e da obediência, que são as condições exigidas para o início do reinado divino. Uma terra abundante e livre é possível para todos.
José foi vendido pelos irmãos como escravo, porque sentiam ódio e ciúmes dele. Quando reinam tais sentimentos, acabam fazendo coisas terríveis contra o próprio irmão. Mas Deus estava com José.
Comprado por Putifar, eunuco do Faraó, José começa a trabalhar de mordomo em sua casa. No local de trabalho, José é assediado pela esposa de Putifar. Diz a Bíblia, que ela lançou os olhos sobre José e disse: “dorme comigo!” (Gn 39, 7). Tratava-se de uma mulher escrava do prazer e de uma vida infeliz. Por causa da recusa de José, ela não podendo dominá-lo, resolve se vingar, armando uma cilada contra ele e, ele é mandado por Putifar a prisão (Gn 39, 20).
Inocentemente jogado na prisão, José permanece fiel a Deus e, por Deus é recompensado, pois o torna vice-rei do Egito. José perdoa os seus irmãos e, ainda ajuda o seu povo que sofria por causa dos sete anos de seca. O reinado de Deus na vida de José o protege da morte, da revolta, da vingança, da infidelidade e da corrupção do poder.
Moisés, antes de encontrar Deus, tinha uma profissão, pois apascentava o rebanho de seu sogro Jetro (Ex 3,1), mas sem querer acabou sendo atraído ao Horeb (montanha de Deus). Tudo o que ser humano faz, deve também levá-lo a tal lugar.
Foi lá que Moisés ouviu uma voz, tirou as sandálias (resistências e apegos) e colocou-se ao serviço do povo oprimido (Ex 3, 10). O reinado de Deus na vida de Moisés fez com que ele se tornasse solidário e líder do povo hebreu, marcado pela miséria e opressão. A luta pela liberdade é uma luta contra os próprios egoísmos.
Pilatos, frente a Jesus, cede aos seus interesses. Não pensou no bem do povo. Preferiu defender o seu poder e os seus privilégios. Rejeitou a liberdade, a verdade e a justiça. Rejeitou o verdadeiro rei. E, ele tinha sido avisado por sua esposa (Mt 27, 19).
Nas palavras de Jesus, - ‘meu reino não é deste mundo... Eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18, 37) -, descobrimos o verdadeiro significado do seu reinado, que se difere dos reinados humanos.
Jesus não é um rei de um mundo de medo, mentira e pecado. E sim um rei nobre por natureza, capaz de vencer sem destruir, fazendo do amor sua única arma. Escutar a sua verdade é acolher o amor, o reino de Deus. |